Software ficou fácil e barato
Nas últimas semanas eu assisti a duas palestras promovidas pela galera da 202, uma iniciativa da qual eu faço parte: uma online e outra presencial. As duas me marcaram porque chegaram a um consenso que mexe com a gente: fazer software, em geral, é fácil e barato. A inteligência artificial derrubou muito o custo de produção.
Isso quer dizer que o software não pode ser o nosso único diferencial. Claro, dá para criar uma barreira tecnológica, e outras empresas fazem isso criando softwares disruptivos. Só que você lança um software disruptivo e, pouco tempo depois, alguém já criou uma versão daquilo. Isso pode ser desanimador. Teve uma ferramenta que foi bombástica e, pouco tempo depois, já existia uma versão brasileira gratuita dela. É uma coisa que a gente precisa entender bem.
Barreiras que não são só software
Outro consenso das palestras: empresas e produtos que não são só software tendem a ter uma proteção maior. Se o investimento para entrar naquele mercado é muito alto, o mercado é difícil de entrar.
Um exemplo que deram: eu poderia vibe codar um banco. Seria possível, não vou entrar na dificuldade. Mas o que me impede de lançar um? A barreira financeira. Eu precisaria aportar algumas dezenas de milhões, o que impossibilita praticamente qualquer pessoa de criar um banco.
A barreira de pessoas e processos
Existe outra barreira, além da financeira, e é essa que eu enxergo a Be My Mentor construindo: a de pessoas e processos. Pensa na dificuldade de vibe codar o iFood. O site e o aplicativo têm custo baixo, eu acredito genuinamente que dá para fazer. Mas o diferencial do iFood nunca foi o software. São os entregadores, os restaurantes parceiros, a rede, o costume das pessoas de abrir o iFood, as propagandas. A barreira de entrada é tudo o que aquela empresa construiu, e a base de usuários acaba sendo uma proteção.
A gente quer ir pelo mesmo caminho. Entendemos que, fazendo um MVP muito bom no Inteli, trazendo as pessoas do Inteli para a nossa solução e mostrando a elas o valor de estar na rede, a nossa base de usuários vira o nosso diferencial.
Por que a gente pode mostrar tudo
Mesmo fazendo build in public, a gente tem segurança de que a Be My Mentor não vai ser copiada. Existem planos de, no futuro, abrir muita coisa para vocês: mostrar como funciona a arquitetura, como vamos resolver os trade-offs que já mapeamos, como vamos monetizar. Porque o nosso diferencial não está no software, e até agora também não está na forma como a gente ganha dinheiro.
O nosso diferencial vai estar na forma como a gente mostra às pessoas o valor da solução e, com isso, retém essas pessoas. Mais do que entender que é importante estar na rede, elas precisam sentir o valor que a rede traz. Queremos que todo mentor se sinta o herói de outra pessoa que ele está ajudando, e que todo mentorado se sinta incluído na rede.
O propósito por trás
Óbvio que a gente quer fazer dinheiro, mas existe um propósito muito grande por trás: conectar pessoas. Num momento em que a maioria está imersa em redes sociais tradicionais, como Instagram e TikTok, a gente quer ser um contrapeso e mostrar que existe vida além delas, e como dá para se conectar presencialmente com outras pessoas. Isso é assunto para um próximo build in public, mas já fica o gostinho.
Durante muito tempo a gente pensou em como seria a nossa barreira de entrada. O software não é ela, e a forma como vamos monetizar também não. A nossa maior barreira vai ser a relação que a gente constrói com as pessoas e a percepção que outros estudantes vão ter da rede. É em cima disso que a gente vai trabalhar. Escutar isso numa palestra foi um daqueles pequenos momentos que ajudam muito, e a gente tem bastante margem para evoluir.
O transcritor de áudio está pronto
Olá, pessoal! Da minha parte, consegui terminar o transcritor de áudio. Não sei se vamos fazer um vídeo sobre a parte técnica, então segue um mini briefing.
Comecei a estudar bastante os sistemas de speech-to-text e percebi que fazer um sistema totalmente autoral é uma má ideia. É preciso uma base de dados forte para treinar o modelo probabilístico a separar os fonemas e entender quais serão as próximas palavras e frases. E, como toda base de dados, uma base de voz está sujeita a vieses. Criar tudo do zero e ainda tentar tirar todos esses vieses seria complicado.
Então peguei uma base e alguns módulos prontos. O Whisper, módulo de transcrição de voz da OpenAI, tem uma versão paga, em que você paga pelo que é transcrito, e uma versão local, o WhisperX. É o que estamos usando, junto com o Pyannote, uma biblioteca Python que auxilia na transcrição. Ainda vou testar o sistema, então no próximo registro vocês devem saber se deu bom, se deu ruim ou se eu fracassei miseravelmente.
Rumo às 10 mentorias
Fora isso, estamos bastante na fase de testar o piloto e fazer mentorias. A meta é fazer cerca de 10 mentorias antes de lançar oficialmente a Be My Mentor como plataforma integrada ao Omni App. Ainda estamos decidindo se vamos integrar com o Slack ou com o WhatsApp. O foco agora é fazer o match entre mentores e mentorados.
O Cauan está despirocando nisso e já conseguiu uma porrada de mentorias. Todo dia ele me fala que conversou com mais alguém e que tem call marcada para amanhã. Enquanto isso, eu fico aqui no sistema de transcrição de voz. Mas consegui converter dois mentores, e faltam alguns mentorados para eles.
Fica o convite: se você tem interesse em ser mentor ou mentorado, manda um zap. Vocês provavelmente têm o nosso contato, a gente sempre compartilha o build in public nos grupos do Inteli e por aí. Qualquer dúvida, chega na gente que a gente dá um jeito.
Pequenos bons hábitos
Além disso, comecei a academia. É meio bizarro, porque agora faço tudo em prol dela. Para crescer, você precisa dormir e comer bem, e como não quero que todo o sofrimento da academia vá para o lixo, me obrigo a isso. Isso está me consertando pouco a pouco. Pequenos bons hábitos vão gerando outros, e assim você vai melhorando cada vez mais.
Estou pensando em fazer um text-to-speech da newsletter, para vocês escutarem no ônibus em vez de só ler. Apesar de que acho meio egocêntrico pensar que vocês realmente fariam isso.
Muito obrigado por me escutar, ou me ler, até aqui. Meu nome é Bruno, CTO, CFO e outros C-levels dessa bagaça. Tamo junto e até o próximo registro do build in public. Valeu!

