A primeira mentoria da nossa história
A gente teve uma mentoria na terça-feira. Foi a primeira mentoria da história da Be My Mentor: a gente nunca tinha tido uma mentoria antes.
A gente marcou com duas pessoas: uma para ser a mentorada, ou seja, a pessoa que iria tirar de fato as suas dúvidas, e uma para ter o papel do mentor dessa mentoria. Essa mentoria ocorreu entre duas pessoas (não vou falar o nome delas agora), mas foi entre um estudante de Engenharia de Software da Universidade Federal do Ceará e uma estudante de Ciência da Computação do Inteli.
A gente uniu esses dois estudantes para conversarem sobre o assunto que tinham escolhido para a mentoria. Com o mentorado, eu troquei uma ideia antes, vi como ele estava na faculdade, entendi qual era a principal dor dele naquele momento para aprender. A gente chegou a outras dores, mas no final ele queria muito entender sobre aquela na qual teve a mentoria. Aí eu fui atrás de uma pessoa qualificada para tirar essa dúvida em específico dele, conectei os dois e coloquei eles numa sala do Meet.
Nessa sala, eu deixei eles interagirem. Também estava lá, mas só interagi duas vezes na conversa: no início, quando perguntaram se já podiam começar, e no meio, quando perguntaram se já podiam terminar.
A mentoria em si trouxe alguns insights que a gente não tinha pensado ainda, e que vamos adaptar para as próximas e trazer pra vocês entenderem também o que a gente visualizou. Por enquanto, só saibam que houve a primeira mentoria. A gente já startou isso, mas de uma forma mais controlada, sem abrir pra todo mundo usar.
Mentoria presencial é o próximo passo
A gente está trabalhando pra realizar mentoria presencial, porque essa primeira foi online. A gente quer ver essas mentorias acontecendo presencialmente, as pessoas podendo se acessar, conversar, trocar ideia de verdade.
Então é a primeira coisa que a gente quer fazer: conectar essas pessoas pessoalmente pra elas começarem a trocar ideia e a gente ver quais são os entraves de verdade. Um entrave é de conexão social? Existe dificuldade em quebrar o gelo, dificuldade de ter o match entre as duas pessoas? Existe uma dificuldade do mentor em pedir ajuda, do mentorado em pedir ajuda, ou do mentor em puxar esse mentorado pra que ele se sinta confortável? É isso que a gente está buscando entender, e agora a gente está literalmente marcando as próximas.
Validando ligação por ligação
A gente está basicamente continuando a validação ligando pra galera que conhece, alguns que nem conhece tanto, por indicação de amigos mesmo, e conectando essas pessoas. É dessa forma que estamos validando.
Conversamos com o professor do MIT, que disse: "vamos fazer 10 mentorias, e aí vocês vão ter uma visão melhor antes de colocar o negócio pra rodar de fato". E a gente está com uma afobação muito grande, porque quer colocar isso pra rodar. Mas, cara, a gente precisa martelar mais. Não pode colocar qualquer coisa pra rodar. A gente quer colocar uma parada boa, então precisa achar todos os erros antes de lançar esse negócio. É isso que estamos buscando: achar todos os erros antes de lançar de verdade.
Um transcritor de áudio feito em casa
Para as mentorias, a gente precisa de um transcritor de áudio. Quem acompanha o build in public já sabe que isso é peça importante do que estamos construindo.
Comecei procurando o que já existia na internet. As opções ou tinham um limite muito curto, e logo a gente teria que gastar uma grana, ou não tinham qualidade técnica suficiente. Testei uma API num teste de fogo real: transcrever uma conversa entre duas mulheres. Ela falhava, porque tratava as duas como se fossem a mesma pessoa.
Por que a IA erra assim
Isso é um aspecto interessante, porque esses transcritores e analisadores de áudio têm um lado probabilístico, construído em cima de bancos de dados enormes. É o mesmo princípio de como a IA aprende a falar com a gente. Ela leu e viu um monte de conteúdo sobre como a gente fala. Mesmo assim, não fala de forma perfeita, mas se parece bastante. Existe o teste de Turing, em que você coloca uma pessoa conversando com uma máquina sem ela saber o que está do outro lado, e ela tem que adivinhar se é um humano ou uma máquina. Esse teste já foi superado há muito tempo.
O ponto interessante é que a transcrição analisa uma montanha de conteúdo, e esse conteúdo é produzido por nós, humanos. E nós somos enviesados, por fatores estruturais, socioeconômicos e outros. Quando o conteúdo tinha voz de mulher, ele refletia o machismo estrutural, e as vozes acabavam sem conseguir ser diferenciadas.
Existe o viés cultural e histórico, e existe também uma parte científica por trás. A faixa de frequência de uma voz masculina é maior. A voz feminina é mais aguda, então tem uma faixa menor. E o ouvido humano tem dificuldade em diferenciar muitos espectros de alta frequência. Eu consigo diferenciar vozes de baixa frequência melhor. Num intervalo de 100 Hz de baixa frequência, eu consigo separar de 0 a 20, de 20 a 40, de 40 a 100. Possivelmente, tá? Na verdade, eu não sei se consigo. Mas quando levo esse mesmo intervalo de 100 Hz para a alta frequência, ele vira um problema.
O que eu estou fazendo
Esse foi o desafio. Então decidi fazer pelo menos uma solução autoral para suprir esse gap, e é nisso que estou trabalhando agora.
Não vou entrar em detalhes técnicos aqui. Quem quiser a parte técnica pode olhar o vídeo do YouTube sobre o build in public, onde eu explico por cima o começo da transcrição de voz. Futuramente eu falo mais sobre isso.
Aprender com IA
O que eu quero destacar neste registro é outra coisa. Eu me considero uma pessoa que aprende rápido, sempre aprendi. Mas com a IA isso fica massivo. Eu só falei "quero aprender transcrição de voz" e ela me recomendou uma sequência de vídeos muito boa. A maior parte do material está em inglês, porque transcrição de voz é um assunto difícil de achar aqui no Brasil. Mesmo assim, em pouco tempo, com conteúdo de qualidade, aprender virou um processo mecânico. Eu não precisei caçar em fórum do Reddit, Stack Overflow ou qualquer outro lugar onde vários nerds se reúnem para discutir as melhores fontes. Veio pronto.
É bizarro como o conhecimento é fácil de adquirir hoje, e isso faz com que saber algo deixe de ser tão diferencial. Aquilo que você sabe agora é muito fácil de aprender, basta dar um prompt. O difícil é ter certeza de que você aprendeu.
Era isso. Essa foi a minha experiência aprendendo e percebendo os diferentes desafios dentro da transcrição de áudio. Obrigado por ler, ou ouvir, até aqui.

