Be My Mentor
Atualização · Registro nº 1

Construindo uma rede social universitária em público

Cauan & Bruno · Registro nº 1

A decisão de sair da caixinha

Demorei 19 anos pra escrever esse texto, mas não sabia que ia escrevê-lo há 3 meses atrás. Foi o período em que empreender deixou de ser uma coisa de filmes e passou a ser uma possibilidade real de futuro. Mas pra isso tive que sair da minha caixinha de um mundo corporativo onde iria trabalhar em empresas renomadas, ter um bom salário e uma vida relativamente confortável. Quando me pergunto por que tomei essa decisão, eu lembro que ter uma vida confortável nunca foi meu principal objetivo, na realidade meu objetivo real era ser lembrado como alguém que construiu algo grande e que causou impacto, assim como muitos jovens assiste à Rede Social e quis empreender assim que terminei de ver o filme.

Com o passar do tempo deixei isso de lado. Me adequei a caminhos óbvios e mais seguros, mas acho que foram justamente esses caminhos seguros que me causaram incômodo, a sensação de passar pela vida sem deixar minha marca nela, sem saber se impactei positivamente a vida de muitas pessoas, me causava questionamentos. Em grande parte por isso estou escrevendo esse texto e fazendo o que estou fazendo há três meses: build in public. Gosto desse conceito, por que não? Me chamo Cauan, tenho 19 anos e estou construindo uma rede social universitária. Se isso vai dar certo? Eu não sei, mas vou fazer tudo o que for possível para que sim.

Acho que ser founder nunca foi algo que me passou pela cabeça. A verdade é que a realidade é bem distante, lembro-me da época que ser astronauta era o meu único sonho, daí eu queria ser bombeiro, após isso eu quis ser policial e após isso…. Bem, não tem um “após isso”, acho que eu só parei de sonhar por um tempo, era uma época que os adultos haviam me ensinado que chorar e gritar por algo era sinônimo de dar trabalho, e a verdade é que eu não queria dar trabalho, então eu só parei gritar e chorar pelas coisas, não me entenda mal, eu ainda era uma criança, portanto ainda chorava e fazia birra quando no auge do meu egoísmo infantil não conseguia algo que queria, mas eu não sei, sei lá quando penso nessa época, sinto que algo primordial estava morrendo, eu só não sabia, não sentia, talvez a minha inteligência emocional de fundamental I não fosse o suficiente para entender o que estava acontecendo, no entanto, com certeza algo estava acontecendo, não acho ser normal uma criança ganhar um prêmio da professora por ficar em silêncio.

Honestamente, eu não sei quando essa sensação parou, mas em algum momento parou, o problema era que não era mais como antes, eu não sonhava mais em dominar o espaço ou salvar velhinhas em perigo com o meus tecnológicos lançadores de teia, acho que as pessoas apelidam isso de “amadurecimento” né? Mas o que é amadurecer? Se for para deixar de querer criar uma armadura para descer o cacete no Hulk, então acho que não quero amadurecer. “Ah, mas amadurecer é necessário, você se torna uma pessoa mais respeitável e adequada ao mundo, assim você vai poder ter um emprego estável e uma família linda para chamar de sua”.

Ahhh…. Sabe, eu nunca pensei em ser founder, mas desde do dia que um indiano veio bater na minha porta dizendo que a achou a chave para a caixinha, eu meio que decidi sair da minha caixa, acontece que eu não sou tão elegante ou respeitoso como ele, então é melhor eu só arrombar logo essa porra mesmo.

Sobre a ideia

Antes de partir para a ideia, queríamos deixar claro que, antes de chegar a ela, tivemos pelo menos outras 20 que falharam miseravelmente. De certa forma esse é nosso maior sucesso, e olha que nem lançamos o MVP ainda.

Notamos que os estudantes estão cada vez mais reclusos, talvez como consequência direta da forma como as mídias sociais tradicionais nos estimulam a agir. Fomos entender esse problema mais a fundo e, para isso, rodamos uma pesquisa em mais de 20 universidades do país. Com as respostas que obtivemos até o momento, notamos que aproximadamente 77% dos estudantes universitários relataram que já quiseram falar com alguém no campus e não ter conseguido. Quando perguntamos o motivo, a maioria cita a falta de um pretexto pra iniciar a conversa.

Com isso, pensamos: por que não criar esse pretexto? Mas não poderia ser apenas um pretexto para conversar, teria que ser também um lugar onde trocas reais acontecem. Foi aí que veio a ideia: podemos criar um espaço onde estudantes com maior facilidade em determinadas matérias ajudam quem tem menos facilidade. Sim, eu sei que isso já existe, a diferença é que essa ajuda é estimulada por uma economia circular, em que ao ajudar com uma mentoria o usuário ganha tempo para receber uma mentoria. Além disso, queremos garantir ao mentor que ele ganhe horas complementares pelo tempo dedicado à aula, que pode ser de 15, 30, 45 minutos ou até uma hora. Unimos o melhor dos dois mundos: pessoas dispostas a ajudar e alunos que precisam desse apoio. E lembra lá do início, quando falamos sobre pretexto? Pra que pretexto melhor do que "me ajuda no conteúdo da prova de amanhã"?

O que começa com uma mentoria pode virar uma amizade. Muitas coisas ainda estão sendo discutidas, mais atualizações surgirão em breve. Por enquanto, ficamos felizes por estarmos construindo em público.